AEJ e AFD: o que são, leiaute e diferenças (Portaria 671)

Equipe Ponto Fácil
Conteúdo e RH
Quem usa ponto eletrônico vai esbarrar em dois arquivos: o AFD e o AEJ. Os dois são definidos pela Portaria 671 e são os primeiros que o auditor fiscal pede numa fiscalização. A diferença entre eles é simples: o AFD guarda as batidas como aconteceram, e o AEJ mostra como essas batidas viraram a jornada que foi paga.
O que é o AEJ
O AEJ (Arquivo Eletrônico de Jornada) é gerado pelo programa de tratamento de registro de ponto, o sistema que pega as marcações e apura a jornada. Ele reúne, num só arquivo, quem são os empregados, qual é o horário contratual de cada um, todas as marcações usadas na apuração e as ausências e movimentos de banco de horas.
Na prática, é o arquivo que responde à pergunta do auditor: "das batidas que o relógio registrou, quais entraram no cálculo, quais foram desconsideradas e quais foram incluídas à mão, e por quê?".
O que é o AFD
O AFD (Arquivo Fonte de Dados) sai do registrador de ponto, o REP, e contém todas as marcações originais, sem nenhum tratamento, cada uma com o seu NSR (número sequencial de registro). É a prova bruta: se o colaborador bateu duas vezes por engano, as duas estão lá. No REP-P, o AFD também leva assinatura eletrônica, o que impede que o arquivo seja editado depois de gerado.
AFD x AEJ: a diferença em uma tabela
| AFD | AEJ | |
|---|---|---|
| Quem gera | O registrador de ponto (REP-C, REP-A ou REP-P) | O programa de tratamento do ponto |
| O que contém | As marcações brutas, como foram registradas | Vínculos, horário contratual, marcações tratadas, ausências e banco de horas |
| Identifica o empregado por | CPF (na Portaria 671) | Um código de vínculo ligado ao CPF e ao nome |
| Formato | Texto com campos em posições fixas | Texto com campos separados por barra vertical ( | ) |
| Serve para | Provar que a batida existiu e não foi alterada | Mostrar como a jornada foi apurada |
O leiaute do AEJ, registro por registro
Cada linha do AEJ começa com o tipo do registro, seguido dos campos separados por "|". Os tipos são estes:
- 01, cabeçalho: CNPJ ou CPF do empregador, razão social, período do arquivo, data e hora da geração e versão do leiaute.
- 02, registradores: os REPs de onde vieram as marcações, cada um com um código interno do arquivo.
- 03, vínculos: cada empregado, com CPF e nome, ligado a um código de vínculo que as outras linhas usam.
- 04, horário contratual: os horários de entrada e saída previstos e a duração da jornada.
- 05, marcações: o coração do arquivo. Cada batida traz o vínculo, a data e hora, o REP, o tipo (E para entrada, S para saída, D para desconsiderada), a sequência do par de entrada e saída, a fonte (original ou incluída) e, quando for o caso, o motivo.
- 06, matrícula no eSocial de cada vínculo.
- 07, ausências e banco de horas: DSR, faltas e os créditos e débitos do banco de horas, em minutos.
- 08, programa de tratamento: nome e versão do sistema que gerou o arquivo e quem o desenvolveu.
- 99, trailer: a quantidade de linhas de cada tipo, para conferir que o arquivo está completo.
Dois campos da marcação merecem atenção. O tipo D registra a batida que o tratamento descartou, como a duplicada, sem apagá-la. A fonte diferencia a marcação original da incluída manualmente, e a incluída precisa vir com motivo. É assim que o AEJ deixa a trilha de qualquer ajuste visível.
Exemplo de uma marcação no AEJ
Uma entrada às 7h58 vinda do registrador 1, no primeiro par da jornada, fica mais ou menos assim:
05|1|2026-10-01T07:58:00-0300|1|E|1|O|1|
Lendo da esquerda para a direita: registro de marcação, vínculo 1, data e hora, REP 1, entrada, primeiro par, marcação original, horário contratual 1 e motivo vazio, porque nada foi ajustado.
Quem precisa gerar e quando
A empresa que controla a jornada por meio eletrônico precisa conseguir apresentar o AFD e o AEJ à fiscalização do trabalho quando forem pedidos, no período solicitado. Não há envio periódico para o governo: os arquivos ficam com a empresa. O risco está em descobrir na hora da fiscalização que o sistema não gera um deles, ou que gera fora do leiaute oficial.
O AEJ na troca de sistema de ponto
O AEJ tem uma utilidade pouco comentada: ele é o melhor arquivo para levar o histórico de ponto de um sistema para outro. Numa migração recente que fizemos, o AFD exportado pelo sistema anterior veio praticamente sem marcações, mas o AEJ trouxe anos de batidas de todos os relógios, já com CPF, nome e a indicação de entrada e saída. Isso resolve até o turno da noite, em que a saída das 6h pertence à jornada que começou às 18h do dia anterior, porque o próprio AEJ diz a qual par cada batida pertence.
O Ponto Fácil importa o AEJ diretamente: as marcações originais entram como estão, as incluídas à mão entram marcadas como ajuste, com o motivo, e as desconsideradas ficam de fora.
Perguntas frequentes
O AEJ substitui o AFD?
Não. São arquivos complementares: o AFD prova as batidas brutas e o AEJ mostra o tratamento. A fiscalização pode pedir os dois.
Quem usa REP-P precisa gerar AEJ?
O AEJ vem do programa que trata o ponto, qualquer que seja o tipo de registrador. Se a empresa apura jornada num sistema eletrônico, esse sistema deve gerar o AEJ.
Dá para abrir o AEJ no Excel?
Dá para abrir como texto separado por "|", mas a leitura é difícil, porque as marcações apontam para códigos de vínculo e de REP definidos em outras linhas. O jeito prático é deixar o sistema de ponto gerar e ler o arquivo.
Onde está a regra oficial?
Na Portaria 671 do Ministério do Trabalho, que traz os leiautes do AFD e do AEJ nos seus anexos.
Vai trocar de sistema de ponto?
O Ponto Fácil gera o AFD e o AEJ da Portaria 671 e importa o AEJ do sistema anterior, para você não perder o histórico de nenhum colaborador.
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